O maternar e a sustentabilidade

Não, eu não quero falar sobre fraldas ecológicas. Eu quero falar sobre tempo.


Quando um bebê nasce, na maioria das vezes, a mãe passa a viver em função dele, o que é completamente natural. Amamenta, troca fralda, dá colo, dá banho, amamenta, dá colo, troca fralda, passa a noite acordada, amamenta. Esse é quase um hino que a mãe toca diariamente. Não todas, claro. Algumas dão mamadeira, outras optam por dar chupeta para acalentar, algumas deixam chorar. Enfim, os detalhes são diferentes. Diferenças essas que dizem muito, não sobre a mãe, mas sobre uma sociedade.


Sobre aquilo que se convencionou ser o melhor, poucas realmente conseguem fazê-lo.


Veja bem...


É preciso tempo para amamentar em livre demanda. Isso inclui: aprender como amamentar, passar pelo processo muitas vezes dolorido da amamentação, doar o tempo que for necessário para o bebê (que vai muitas vezes para além da fome).


É preciso tempo para deixar o bebê comer no seu ritmo. Isso inclui a espera, já que provavelmente esse processo vai demorar, pois para ele a comida é uma forma de explorar o mundo e se divertir. Isso também inclui limpar a grande sujeirada que fica em ca-da-re-fei-ção.


É preciso tempo para estar presente. Isso inclui deixar de lado o home office ou mesmo a ida ao trabalho, os afazeres domésticos. Aqui é um ponto delicado, já que nos dias de hoje, quase toda mulher precisa voltar ao trabalho rapidamente, seja para não perder o emprego ou seja por conta de toda uma culpa que cai sobre ela para que seja produtiva - como se a maternidade não a consumisse vorazmente – mas isso é assunto para outro texto.

É preciso tempo para evitar uso de telas. É preciso tempo para estudar métodos eficazes e amorosos de educação. É preciso tempo para oferecer um sono de qualidade durante o dia. Exemplos não faltam.


É verdade que todas as pessoas tem as mesmas 24h diárias. É verdade também que o SUS, por exemplo, no quesito parto e amamentação, são a favor do natural e livre demanda. Mas há que se concordar que a informação chega pela metade, sem lá muito incentivo. No dia a dia, em qua a vida acontece, as horas correm, o dinheiro é curto e há toda uma sociedade mercadológica que diz que não podemos parar.


O tempo vira, então, ouro. Quem tem acesso de fato a ele, que possa deliberadamente parar, seja para estar presente como para ofertar tudo aquilo de que o bebê precise naquele momento?

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